segunda-feira, 27 de abril de 2009

Casar por amor é uma péssima idéia! - Parte 1

Nossos sentimentos e emoções vem e vão, crescem e desaparecem, como fases da Lua. Por que então tomá-los como base de nossas relações?

(...)

Nós queremos ser chacoalhados. Filmes, músicas, drogas, álcool, chocolates, viagens, sapatos, amores… Somos felizes quando somos movidos por algo. Toda paixão – como já sugere a raiz grega, páthos – é uma forma de passividade. Nós sofremos paixão, padecemos, nos assujeitamos. Caímos arrebatados, atropelados. We fall in love: a paixão é algo que nos acontece.

Primeiro, a confissão “Estou apaixonado por ele!”, que significa “Ele faz coisas comigo, ele me deixa viva, linda e feliz”. Depois, “Eu te adoro”, nada diferente de pedir que o outro continue nos movendo, seguido pelo clássico “Eu te amo”, ou seja, “É por você que quero ser amada”. E enfim o pedido de casamento, cujo discurso gira em torno de “Eu nunca fui tão feliz como nos últimos anos, por isso quero passar o resto da minha vida com você” (assista aos dois primeiros pedidos: os caras não falam da vida delas, mas de sua própria felicidade). Em nosso autocentramento, o “Eu” de tais frases não é ator algum. É sujeito.

Se casamos por um amor desses, assim que o outro pára de nos mover, de injetar felicidade em nós, de causar tesão, nossa passividade se revela pura estagnação (pois afinal nunca nos movemos de fato, é sempre o outro que nos puxa de lá para cá). Quando ele pára de nos mover, paramos de amar. Trocamos então o “Eu te amo” por “Eu quero me separar”. O motivo? O outro nos fazia feliz, agora não mais. Razão suficiente para terminar uma relação, não é mesmo?

Se fosse apenas com as relações amorosas… O sentimento é considerado critério de veracidade, referencial ético, fundamento inquestionável para qualquer ação. Ele saiu do trabalho porque não estava se sentindo bem lá. Ela fuma porque gosta do que o cigarro a faz sentir. Ele quase não visita sua família porque se sente desconfortável entre tios e primos, gente chata e sem graça. E, claro, ela terminou o casamento porque o amor acabou. Os sentimentos são nosso refúgio e nossa certeza. Nossa intuição mais profunda: “Se eu sinto assim, então só pode ser verdade!”.

Tomando os sentimentos e as sensações como referencial, procuramos por tudo aquilo que nos faz sentir bem e nos afastamos das situações e seres que não nos trazem prazer. Com isso, nos tornamos mimados: “Rúcula eu não como porque não gosto”. A nova geração de homens “frescos” que não comem alguns legumes e verduras é impressionante! Esses dias conheci um cara que não come mamão. Pode isso? (Toda mulher deveria desconfiar do desempenho sexual de um homem que não come de tudo).


(...)

Como sabemos que nos indispomos ao menor desconforto (e que o outro funciona do mesmo modo), evitamos ao máximo causar atritos no sentimento que elegemos como base da relação. Sob o risco do amor do outro acabar, temendo sermos abandonados como um brinquedo antigo jogado no fundo do armário, também mimamos nossos maridos e esposas. Tentamos não confrontar suas negatividades para que eles nunca deixem de se sentir amados. Ao mesmo tempo, nós também queremos nos sentir amados, então mimamos para sermos mimados – eis nosso pacto de mediocridade.

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Como sentimento, o amor é inseparável da paixão que o fez nascer. É a lembrança dessa vinculação que, depois de anos de relacionamento, nos preocupa lá pelo quarto mês de paixão ausente: “Ele não me procura mais”, “Ela parece que não gosta mais de mim”. Se não há paixão, parece não restar mais amor, então outros sentimentos e emoções tomam conta do casal (já que o sentimento é sua fundação), muitas vezes o fazendo ruir de dentro para fora. Sem amor, qual o sentido de ficar junto?

Nosso mimo hedonista quase não é um problema comparado ao sofrimento gerado pela impermanência, pelas oscilações dos sentimentos. Funciona assim: um sentimento surge, dita o que é verdade para mim, dá sentido a todo o meu momento e me impulsiona para uma ação, então me movo em uma direção, até que o sentimento cessa (e com ele a verdade, o sentido e a ação) e me sinto perdido, confuso e impotente, sem entender como fui parar em um local desconfortável sendo que estava andando em direção a um horizonte de felicidade.

Exemplos? Alguns casos que recebi por email nos últimos meses: uma mulher casada se apaixonou por outro, se separou para viver a paixão (que acabou) e agora sofre por não conseguir voltar para o casamento; um homem entrou em uma relação porque se sentia bem com a parceira mas não queria tomar esse direcionamento na vida e agora está mal por ter deixado seus projetos de lado; uma mulher que não gosta mais do marido, mas tem uma vida perfeita de casal, deseja muito se apaixonar por ele novamente, caso contrário diz que terá de se separar…

Se colocamos duas pessoas, lado a lado, se amando assim, arrastadas por sentimentos, qual a probabilidade de elas continuarem próximas por um longo tempo?

Continua…



FONTE: http://nao2nao1.com.br/casar-por-amor-e-uma-pessima-ideia/

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Minha verdade

Se não for para viver intensamente cada segundo do meu dia, eu prefiro não acordar.



Não sei viver pela metade.
Quero viver por inteiro.

Por isso renuncio ao que não me agrada.
Elimino o que faz mal ao meu coração.
Extermino toda e qualquer demonstração de falta de caráter e injustiça.

Eu quero dias melhores, lugares melhores, pessoas melhores.

Quero fazer o que quiser sem me preocupar com o tempo ou as consequências.

Quero o sorriso mais sincero, o abraço mais forte, a mais simples demonstração de amor e amizade.

Quero ser eu mesma em cada um dos 86.400 segundos do meu dia.

Respirar os melhores ares, estar com as mais puras pessoas, dedicar o meu tempo para cultivar o bem, e colher bons frutos disso.



Se não for pra ser assim, não estaria vivendo, mas apenas existindo.

E existir é simples, é vago, é frágil...

É pouco pra mim [!]
;)

P.S.: Roubei o texto do meu amigo Jorge....ADOREI!

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Músicas que falam por mim Parte 2

I've been twisting and turning,
In a space that's too small.
I've been drawing the line and watching it fall,
You've been closing me in, closing the space in my heart.
Watching us fading and watching it all fall apart.


Well I can't explain why it's not enough, Cause I gave it all to you.
And if you leave me now, oh just leave me now.
Its the better thing to do,
Its time to surrender,
Its too long pretending.
Theres no use in trying,
When the pieces don't fit anymore, Pieces don't fit here anymore.

You pulled me under,
I had to give in.
Such a beautiful myth,
Thats breaking my skin.
Well I'll hide all the bruises,
I'll hide all the damage thats done.
But I show how I'm feeling until all the feeling has gone.



Ooh don't missunderstand,
How I feel.
Cause I've tried, yes I've tried.
But still I don't know why, no I don't know why.



TRADUÇÃO

Estive girando e rodando
Num espaço muito pequeno.
Eu fui desenhando o caminho e vendo ele desmoronar,
Você tem me cercado, fechando o espaço no meu coração.

Vendo a gente acabar e vendo tudo cair aos pedaços.

Bem, não consigo explicar porque não é suficiente pra
você, porque eu dei tudo pra você.
E se for me deixar agora, simplesmente me deixe
agora.
Essa é a melhor coisa a fazer,
É hora de renunciar,
passou-se muito tempo fingindo.
Não se tem motivos pra tentar,
Quando as peças não encaixam mais, as peças não
encaixam mais.

Você me arrastou pra baixo,
Eu tive que desistir.
Uma linda ilusão,
que está rasgando minha pele aos pedaços.
Bem, vou esconder todas as feridas,
Esconderei todo o dano que foi feito.
Mas vou mostrar como me sinto até que todo o
sentimento tenha ido embora.

Ooh nao interprete mal,
como me sinto.
Porque eu tentei, sim eu tentei.
Mas ainda nao sei porque, não eu não sei porque.
Eu não sei porque...... porque!

domingo, 19 de abril de 2009

Músicas que falam por mim! Parte 1

Let me hold you
For the last time
It's the last chance to feel again
But you broke me
Now I can't feel anything

When I love you
Is so untrue
I can't even convince myself
When I'm speaking
It's the voice of someone else

Oh it tears me up
I try to hold on but it hurts too much
I try to forgive but it's not enough
To make it all okay

You can't play on broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real

Oh the truth hurts
And lies worse
How can I give anymore
When I love you a little less than before

Oh what are we doing
We are turning into dust
Playing house in the ruins of us

Running back through the fire
When there's nothing left to save
It's like chasing the very last train
When it's too late
Too late

Oh it tears me up
I try to hold on but it hurts too much
I try to forgive but it's not enough
To make it all okay

You can't play on broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real

Oh the truth hurts
And lies worse
How can I give anymore
When I love you a little less than before

But we're running through the fire
When there's nothing left to save
It's like chasing the very last train
When we both know it's too late
Too late

You can't play on broken strings
You can't feel anything
That your heart don't want to feel
I can't tell you something that ain't real

Oh the truth hurts
And lies worse
So how can I give anymore
When I love you a little less than before
Oh you know that I love you a little less than before

Let me hold you
For the last time
It's the last chance to feel again



TRADUÇÂO

Deixe-me abraçá-la
Pela última vez
É a última chance de sentir novamente
Mas você quebrou-me
Agora eu não posso sentir nada

Quando eu te amo
É tão falso
Eu nem posso me convencer
Quando estou falando
É a voz de outra pessoa

Oh isso me faz chorar
Tentei segurar, mas dói demais
Eu tentei perdoar, mas não é suficiente
Para tornar tudo ok

Você não pode tocar com cordas rompidas
Você pode não sentir nada
Que seu coração não quer sentir
Eu não posso te dizer uma coisa que não é real

Oh a verdade dói
E mentiras pioram
Como eu posso te dar mais
Quando eu te amo menos que antes

Oh o que estamos fazendo
Nós estamos transformando em pó
Jogando em casa as ruínas de nós

Correndo de volta pelo fogo
Quando não há mais nada a dizer
É como perseguir o último trem
Quando é tarde demais

Oh isso me faz chorar
Tentei segurar, mas dói demais
Eu tentei perdoar, mas não é suficiente
Para tornar tudo ok

Você não pode tocar em cordas rompidas
Você pode não sentir nada
Que seu coração não quer sentir
Eu não posso te dizer uma coisa que não é real

Oh a verdade dói
E mentiras pioram
Como eu posso te dar mais
Quando eu te amo menos que antes

Mas estamos correndo de volta pelo fogo
Quando não há mais nada a dizer
É como perseguir o último trem
Quando nós dois sabemos que é tarde demais

Você não pode brincar com nossos laços rompidos
Você pode não sentir nada
Que seu coração não quer sentir
Eu não posso te dizer uma coisa que não é real

Oh a verdade dói
E mentiras pioram
Como eu posso te dar mais
Quando eu te amo menos que antes
Quando eu te amo menos que antes

Deixe-me abraçá-la pela última vez
É a última chance de sentir novamente

sexta-feira, 17 de abril de 2009

O amor

"O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte."

João Cabral de Melo Neto