Faz pouco tempo que decidi me tornar ciclista. Aliás, essa foi uma das decisões mais bacanas de 2012.
Comprei a bike do jeitinho que eu queria e passei a me aventurar alguns dias por semana nas ruas de Joinville. Quando não chove por aqui (Imagine! Chover em Joinville!!Há!), vou de bike pro ballet. Isso é um percurso de uns 15 a 20 minutos, algo em torno de 4 km pra ir e mais 4 km pra voltar. Básico, fácil e realizável.
A decisão primeiramente foi fácil. Chegar mais rápido ao destino em horários de pico, curtir a cidade de um jeito especial, se refrescar com o vento no rosto, me exercitar..... Mas num segundo momento ou perspectiva....é uma decisão difícil e diária. Explico: Difícil porque confronto sempre meu lado de ser humano chamado comodismo. Sim, nos tornamos seres cômodos ao nos deslocar dentro dos nossos carros, com ar-condicionado ligado, a música que você mais gosta no modo repetir e quase sempre....sozinho. Mais fácil sim. Mais cômodo também. E toda vez que penso que vou ter que pedalar duro pra fazer a mesma coisa....a preguicinha se faz presente....
Então, quando você vai de bicicleta você obrigada todo o seu corpo a se exercitar. Pernas, braços, olhos mil vezes mais atentos, ouvidos também e uma parte do teu cérebro que tem que lidar com a sutil vergonha de sair usando aquele capacete! Ok!
E mesmo quando você encara todas essas etapas, se mune de bike, capacete e boa vontade vem o pior: lidar com o trânsito e seus colegas motoristas. Infelizmente, hoje em Joinville, mais do que ter a consciência de desafogar as ruas e ajudar a natureza com a questão da poluição, você precisa contar com a educação de um povo que não está preparado para conviver com o ciclista. O que é uma pena, pq os ciclistas ajudam e muito o trânsito com essa questão de diminuir a quantidade de carros nas ruas....
Joinville até que é bem sinalizada, e tem algumas faixas exclusivas para as bicicletas em certos pontos da cidade. Mas os colegas motoristas....esses não tem jeito. Meu trajeto é simples, vejam bem. Na ida vou pela Benjamin Constant que tem ciclovia em praticamente toda sua extensão. E Gosto de voltar pela Max Colin que também tem ciclovias em uma grande parte se não em toda sua extensão. E não há um dia que eu não veja carros invadindo as ciclovias porque fez uma curva em alta velocidade e acabou fechando a direção ou mesmo carros estacionados ao longo da ciclovia porque o motorista decidiu fazer “happy hour “ (veja só!) num pub do outro lado da rua...
Poderia discorrer sobre inúmeras faltas que acontecem quando me torno ciclista, que vejo e vivo quando tento fazer meus quase 10km de bike.... eu fico apavorada! E óbvio que não tem fiscalização, controle ou qualquer coisa do tipo, porque mais do que não termos motoristas preparados para isso, não temos também profissionais de fiscalização de trânsito preparados e cientes das leis que protegem o ciclista ou mesmo referentes aos direitos e deveres dos mesmos.
Ciclovias em vermelho e branco ao longo das vias, bem sinalizadas e tal, são lindas de se ver. Veja só como Joinville está crescendo, você pode pensar...! Blééé...bonito mesmo é ver a consciência em cada ato de nós joinvillenses ao usufruir da mobilidade em nossa cidade.
É claro que não vou desistir dessa linda idéia de me manter ciclista e até já aceitei o fato de ter que usar meu” lindo” capacete branco quando me aventuro na cidade (porque eu sei dos meus deveres e das leis que cercam o ciclismo urbano! Ié!).... Mas não custa desabafar e pedir aqui que nos tornemos cada dia mais conscientes da mobilidade urbana e que saibamos dividir as ruas com quem anda de carro, bicicleta ou a pé.
Todos temos direitos e obrigações e devemos começar por nós mesmos a mudança que queremos ver no mundo. Eu já estou tentando com esse lance de bicicleta. E você?
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Namore uma garota que lê!
Namore uma garota que gasta seu dinheiro em livros, em vez de roupas.
Ela também tem problemas com o espaço do armário, mas é só porque tem livros demais. Namore uma garota que tem uma lista de livros que quer ler e que possui seu cartão de biblioteca desde os doze anos.
Encontre uma garota que lê. Você sabe que ela lê porque ela sempre vai ter um livro não lido na bolsa. Ela é aquela que olha amorosamente para as prateleiras da livraria, a única que surta (ainda que em silêncio) quando encontra o livro que quer. Você está vendo uma garota estranha cheirar as páginas de um livro antigo em um sebo? Essa é a leitora. Nunca resiste a cheirar as páginas, especialmente quando ficaram amarelas.
Ela é a garota que lê enquanto espera em um Café na rua. Se você espiar sua xícara, verá que a espuma do leite ainda flutua por sobre a bebida, porque ela está absorta. Perdida em um mundo criador pelo autor. Sente-se. Se quiser ela pode vê-lo de relance, porque a maior parte das garotas que leem não gostam de ser interrompidas. Pergunte se ela está gostando do livro. Compre para ela outra xícara de café. Diga o que realmente pensa sobre o Murakami. Descubra se ela foi além do primeiro capítulo da Irmandade. Entenda que, se ela diz que compreendeu o Ulisses de James Joyce, é só para parecer inteligente. Pergunte se ela gosta ou gostaria de ser a Alice.
É fácil namorar uma garota que lê. Ofereça livros no aniversário dela, no Natal e em comemorações de namoro. Ofereça o dom das palavras na poesia, na música. Ofereça Neruda, Sexton Pound, cummings. Deixe que ela saiba que você entende que as palavras são amor. Entenda que ela sabe a diferença entre os livros e a realidade mas, juro por Deus, ela vai tentar fazer com que a vida se pareça um pouco como seu livro favorito.
E se ela conseguir não será por sua causa. É que ela tem que arriscar, de alguma forma. Minta. Se ela compreender sintaxe, vai perceber a sua necessidade de mentir. Por trás das palavras existem outras coisas: motivação, valor, nuance, diálogo. E isto nunca será o fim do mundo. Trate de desiludi-la. Porque uma garota que lê sabe que o fracasso leva sempre ao clímax. Essas garotas sabem que todas as coisas chegam ao fim. E que sempre se pode escrever uma continuação. E que você pode começar outra vez e de novo, e continuar a ser o herói. E que na vida é preciso haver um vilão ou dois. Por que ter medo de tudo o que você não é? As garotas que leem sabem que as pessoas, tal como as personagens, evoluem. Exceto as da série Crepúsculo.
Se você encontrar uma garota que leia, é melhor mantê-la por perto. Quando encontrá-la acordada às duas da manhã, chorando e apertando um livro contra o peito, prepare uma xícara de chá e abrace-a. Você pode perdê-la por um par de horas, mas ela sempre vai voltar para você. E falará como se as personagens do livro fossem reais – até porque, durante algum tempo, são mesmo. Você tem de se declarar a ela em um balão de ar quente. Ou durante um show de rock. Ou, casualmente, na próxima vez que ela estiver doente. Ou pelo Skype. Você vai sorrir tanto que acabará por se perguntar por que é que o seu coração ainda não explodiu e espalhou sangue por todo o peito.
Vocês escreverão a história das suas vidas, terão crianças com nomes estranhos e gostos mais estranhos ainda. Ela vai apresentar os seus filhos ao Gato do Chapéu [Cat in the Hat] e a Aslam, talvez no mesmo dia. Vão atravessar juntos os invernos de suas velhices, e ela recitará Keats, num sussurro, enquanto você sacode a neve das botas.
Namore uma garota que lê porque você merece. Merece uma garota que pode te dar a vida mais colorida que você puder imaginar. Se você só puder oferecer-lhe monotonia, horas requentadas e propostas meia-boca, então estará melhor sozinho. Mas se quiser o mundo, e outros mundos além, namore uma garota que lê. Ou, melhor ainda, namore uma garota que escreve.
Texto original: Date a girl who reads – Rosemary Urquico Tradução e adaptação – Gabriela Ventura
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Simplesmente Gatos
Simplesmente Gatos
Bichos polêmicos sem o querer, porque sábios, mas inquietantes, talvez por isso... nada é mais incômodo que o silencioso bastar-se dos gatos. O só pedir a quem amam. O só amar a quem os merece. O homem quer o bicho espojado, submisso, cheio de súplica, temor, reverência, obediência. O gato não satisfaz as necessidades doentias do amor. Só as saudáveis.
Lembrei, então, de dizer, dos gatos, o que a observação de alguns anos me deu. Quem sabe, talvez, ocorra o milagre de iluminar um coração a eles fechado?
Quem sabe, entendendo-os melhor, estabelece-se um grau de compreensão, uma possibilidade de luz e vida onde há ódio e temor?
Quem sabe São Francisco de Assis não está por trás do Mago Merlin, soprando-me o artigo? Já viu gato amestrado, de chapeuzinho ridículo, obedecendo às ordens de um pilantra que vive às custas dele? Não! Até o bondoso elefante veste saiote e dança a valsa no circo. O leal cachorro no fundo compreende as agruras do dono e faz a gentileza de ganhar a vida por ele. O leão e o tigre se amesquinham na jaula.
Gato não. Ele só aceita uma relação de independência e afeto. E como não cede ao homem, mesmo quando dele dependente, é chamado de arrogante, egoísta, safado, espertalhão ou falso.
"Falso", porque não aceita a nossa falsidade com ele e só admite afeto com troca e respeito pela individualidade. O gato não gosta de alguém porque precisa gostar para se sentir melhor.
Ele gosta pelo amor que lhe é próprio, que é dele e ele o dá se quiser.
O gato devolve ao homem a exata medida da relação que dele parte. Sábio e espelho. O gato é zen. O gato é Tao. Ele conhece o segredo da não-ação que não é inação. Nada pede a quem não o quer.
Exigente com quem ama, mas só depois de muito certificar-se. Não pede amor, mas se lhe dá, então ele exige. Sim, o gato não pede amor. Nem depende dele. Mas, quando o sente é capaz de amar muito. Discretamente, porém sem derramar-se. O gato é um italiano educado na Inglaterra. Sente como um italiano mas se comporta como um lorde inglês.
Quem não se relaciona bem com o próprio inconsciente não transa o gato. Ele aparece, então, como ameaça, porque representa essa relação precária do homem com o (próprio) mistério.
O gato não se relaciona com a aparência do homem. Ele vê além, por dentro e pelo avesso. Relaciona-se com a essência.
Se o gesto de carinho é medroso ou substitui inaceitáveis (mas existentes) impulsos secretos de agressão, o gato sabe. E se defende do afago. A relação dele é com o que está oculto, guardado e nem nós queremos, sabemos ou podemos ver. Por isso, quando surge nele um ato de entrega, de subida no colo ou manifestação de afeto, é algo muito verdadeiro, que não pode ser desdenhado.
É um gesto de confiança que honra quem o recebe, pois significa um julgamento. O homem não sabe ver o gato, mas o gato sabe ver o homem. Se há desarmonia real ou latente, o gato sente. Se há solidão, ele sabe e atenua como pode (ele que enfrenta a própria solidão de maneira muito mais valente que nós). Se há pessoas agressivas em torno ou carregadas de maus fluidos, ele se afasta.
Nada diz, não reclama. Afasta-se. Quem não o sabe "ler" pensa que "ele não está ali. Presente ou ausente, ele ensina e manifesta algo. Perto ou longe, olhando ou fingindo não ver, ele está comunicando códigos que nem sempre (ou quase nunca) sabemos traduzir. O gato vê mais e vê dentro e além de nós. Relaciona-se com fluidos, auras, fantasmas amigos e opressores. O gato é médium, bruxo, alquimista e parapsicólogo. É uma chance de meditação permanente a nosso lado, a ensinar paciência, atenção, silêncio e mistério. O gato é um monge portátil à disposição de quem o saiba perceber.
Monge, sim, refinado, silencioso, meditativo e sábio monge, a nos devolver as perguntas medrosas esperando que encontremos o caminho na sua busca, em vez de o querer preparado, já conhecido e trilhado. O gato sempre responde com uma nova questão, remetendo-nos à pesquisa permanente do real, à busca incessante, à certeza de que cada segundo contém a possibilidade de criatividade e de novas inter-relações, infinitas, entre as coisas. O gato é uma lição diária de afeto verdadeiro e fiel. Suas manifestações são íntimas e profundas. Exigem recolhimento, entrega, atenção. Desatentos não agradam os gatos. Bulhosos os irritam. Tudo o que precise de promoção ou explicação, quer afirmação. Vive do verdadeiro e não se ilude com aparências. Ninguém em toda natureza aprendeu a bastar-se (até na higiene) a si mesmo como o gato!
Lição de sono e de musculação, o gato nos ensina todas as posições de respiração ioga. Ensina a dormir com entrega total e diluição recuperante no Cosmos. Ensina a espreguiçar-se com a massagem mais completa em todos em todos os músculos, preparando-os para a ação imediata. Se os preparadores físicos aprendessem o aquecimento do gato, os jogadores reservas não levariam tanto tempo ( quase 15 minutos) se aquecendo para entrar em campo. O gato sai do sono para o máximo de ação, tensão e elasticidade num segundo. Conhece o desempenho preciso e milimétrico de cada parte do seu corpo, a qual ama e preserva como a um templo. Lição de saúde sexual e sensualidade. Lição de envolvimento amoroso com dedicação integral de vários dias. Lição de organização familiar e de definição de espaço próprio e território pessoal. Lição de anatomia, equilíbrio, desempenho muscular. Lição de salto. Lição de silêncio.Lição de descanso. Lição de introversão. Lição de contato com o mistério, com o escuro, com a sombra. Lição de religiosidade sem ícones.
ão de alimentação e requinte. Lição de bom gosto e senso de oportunidade. Lição de vida, enfim, a mais completa, diária, silenciosa, educada, sem cobranças, sem veemências, sem exigências. O gato é uma chance de interiorização e sabedoria posta pelo mistério à disposição do homem.
Artur da Távola
sexta-feira, 6 de abril de 2012
O amor pode ser a melhor coisa do mundo.

Aos que já encontraram um grande amor, digo que é muito fácil perder a admiração e o ar de fantasia com o tempo… Aquele vulcão da conquista e das descobertas amorosas pode dar lugar a um lago tranqüilo e às vezes até monótono.
Mas o amor é o caminho entre o vulcão e o lago mesmo, tanto faz em que direção você queira ir o importante é não parar de andar de mãos dadas. O príncipe às vezes pode virar um sapo e a cinderela voltar pra casa com uma abóbora ao invés da carruagem, mas vai depender do trabalho árduo e dedicado dos dois outrora intensos amantes a conquista e a reconquista diária da fantasia inicial, do vulcão e dos momentos de perder o fôlego.
Há coisas muito interessantes tanto no vulcão como no lago, o gostoso não é estar lá ou aqui, o bom e prazeroso é o esforço correspondido para continuar a caminhar juntos. Em outras palavras, não se permita perder a capacidade de se surpreender com a pessoa amada mesmo nas coisas mais corriqueiras e normais!
Encontrar alguém que queira andar de mãos dadas com a gente e queira espontaneamente dar este mesmo amor sem medidas é um presente de Deus a ser valorizado e agradecido todos os dias.
Os que ainda não encontraram… alguns conselhos: ame primeiro a você, cuide-se, enfeite-se, curta-se, valorize-se, encontre o prazer da auto-suficiência de não precisar de nada além de você mesmo para se sentir uma pessoa amável , aprenda a não ter medo de se amar e investir em projetos pessoais.
Em segundo lugar, seja menos exigente com você e principalmente com quem se propõe a amá-lo(a), não existe amante perfeito, nem mesmo você conseguiria sê-lo.
Então, não digo que você deva se conformar cegamente com o que conseguiu [ou não] até aqui, como se você não fosse capaz de encontrar algo melhor, mas não inicie sua procura buscando alguém ou um amor à sua altura, pode ser decepcionante.
Para falar a verdade, nem procure! Deixe o amor surgir naturalmente! Por fim, não fique medindo ou comparando sensações, não avalie a importância de alguém na sua vida pela sensação que ela lhe causa, mas pelo bem que ela pode provocar.
Resumindo… Apenas se abra sem medo ao amor. O resultado da descoberta só vem com o tempo. Sim! É um risco!
O Deus que criou o amor te abençoe rica, poderosa e sobrenaturalmente!
terça-feira, 20 de março de 2012
A Seu Tempo (Scracho)
Cada coisa ao seu tempo,foi o que ouvi dizer
O que foi que eu perdi quando eu me pus a crescer?
Quando dei por mim a vida levava por trilhas desconhecidas,
Acelerando a cada dia,
Como eu peço pra descer
É tempo que não volta mais,
é tempo que não volta mais.
Os amigos e os lugares tão impossíveis de esquecer
Tanta história num passado que eu queria reviver
Quem por favor volta a fita
Quero meus pais aqui sem despedidas
Viver numa fotografia,sem medo de envelhecer
É tempo que não volta mais,
é tempo que não volta mais.
Pele e mão já não são mais como costumavam ser,
Envelhecer é o preço que se paga pra entender
Que mesmo que a saudade insista em bater,
Recomeçar faz parte de viver.
O que foi que eu perdi quando eu me pus a crescer?
Quando dei por mim a vida levava por trilhas desconhecidas,
Acelerando a cada dia,
Como eu peço pra descer
É tempo que não volta mais,
é tempo que não volta mais.
Os amigos e os lugares tão impossíveis de esquecer
Tanta história num passado que eu queria reviver
Quem por favor volta a fita
Quero meus pais aqui sem despedidas
Viver numa fotografia,sem medo de envelhecer
É tempo que não volta mais,
é tempo que não volta mais.
Pele e mão já não são mais como costumavam ser,
Envelhecer é o preço que se paga pra entender
Que mesmo que a saudade insista em bater,
Recomeçar faz parte de viver.
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