domingo, 31 de agosto de 2014

Coração partido

Meu coração está partido.
Perdi pessoas especiais hoje e muito me surpreende esse peso no peito, essa sensação de sufocamento que estou sentindo desde que soube da notícia.

Não me surpreende pela capacidade de sentir isso frente a morte, mas sim porque as pessoas queridas em questão há muito não tinha contato e acho que nem eu sabia que os amava tanto.

Conheci o Rodrigo na faculdade. Fui caloura dele em 2002. Três anos depois a gente começou a namorar e alguns meses mais tarde noivamos. Seus pais, conheci nesse meio tempo e posso dizer que eram pessoas do mais puro coração. Perdi as vezes que viajávamos pra Marema passar fins de semana, ou mesmo depois que me mudei pra Chapecó quantas vezes peguei a mesma estrada para encontrá-los.
Teve ano novo, férias na praia, feriados, a chegada do primeiro neto, o noivado do filho mais velho, ambas formaturas (minha e dele). E os dois, sempre presentes.

Posso assegurar que a dona Mari era minha segunda mãe.
E lembro como se fosse hoje do jeitinho tímido do seu Waldomiro quando eu arrancava beijos e abraços dele.

No dia em que fui embora, depois de um triste fim de noivado, passei pela última vez naquela estrada. As palavras dos meus queridos ex-sogros ainda estão vívidas na minha memória.
E agora essas lembranças partem meu coração...
Queria poder estar ao lado de toda a família, que eu tanto amei e que me acolheu com tanta doçura e honestidade. Queria poder abraçá-los para confortar neste momento difícil.
Mas estamos longe nesse momento então só me resta rezar por todos vocês. Orar para que tudo volte a se encaixar com o tempo e que essa falta que eles certamente farão seja substituída pela alegria de ter vivido momentos lindos com eles.

Hoje, neste domingo dia 31 de agosto, o dia começou chovendo forte. Era a festa no céu por tê-los recebidos.
Meus sentimentos a família Peruzzo / Bevilaqua.
Vão com Deus dona Mari e seu Waldomiro

Na foto: Seu Waldomiro, dona Marizete, Rodrigo, Ronaldo, Fernanda e o neto André Luiz

sábado, 23 de agosto de 2014

Sacrifício....

Não quero refletir sobre nada hoje.
Em vez disso, só quero conversar...
Sobre uma palavra que não se ouve muito mais: Sacrifício.

Não é o que eu chamaria de uma palavra moderna.
As pessoas ouvem "Sacrifício" e ficam com medo que algo será tirado delas.
Ou que terão que abrir mão de algo sem o qual não podem viver.

"Sacrifício" para eles significa "perda" num mundo que nos diz que podemos ter tudo.
Mas acredito que o sacrifício verdadeiro é uma vitória. Pois requer que nosso livre arbítrio abra mão de algo que se ama, por algo ou alguém que se ama mais que a si mesmo.

Não vou mentir para vocês: É um risco!
O Sacrifício não tira a dor da perda. Mas vence a batalha contra a amargura.
A amargura que obscurece tudo o que é de valor em nossa vida...


"Dezesseis Luas"

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Cozinhaterapia

Hoje eu estou com uma vontade enorme de cozinhar.

Isso mesmo.

Vontade de fazer várias coisas deliciosas.
Já pensei em uma lasanha bolonhesa e batata frita. Quem sabe um bolo de chocolate ou canjica com côco.

Calorias a parte, cozinhar é uma forma de eu demonstrar meus sentimentos.
Quando estou triste eu cozinho. Quando estou angustiada ou ansiosa eu cozinho.
Quando estou apaixonada, eu cozinho também, pra alimentar (literalmente) meu amor.

Cozinhar é uma deliciosa terapia pra mim. Quase um impulso vital de me conhecer, olhar pra dentro de mim e distrair a cabeça.
Misturar ingredientes, cortar cebola, experimentar misturas diferentes, montar os pratos.
É tão gostoso que me esqueço do mundo, da dor, da solidão.
Me sinto inserida, completa e satisfeita dentro da minha cozinha.

É uma forma de honrar meu coração. De usufruir dessa gostosa maturidade que a vida me trouxe.
E todo o processo me anima. Desde a ida ao mercado, a escolha dos ingredientes, o preparo e a deliciosa arte de comer.

E quer saber? Vou lá me reinventar na cozinha. Pra me transformar no melhor que eu posso ser.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Chora minha tristeza....

"Chora que a tristeza
foge do teu olhar
brincando de esquecer
saudade vai passar
e amor já vai chegar"



Dói.
Dói demais.
Mas quando a gente cresce na vida, amadurece mesmo e vira gente grande, essa dor passa a ser identificável.
Nos consome por horas e não dias.
Semanas mas não anos.

Eu sei que o pior ainda vai vir.
Eu sei que dói não só por tua causa, mas também pela soma de todos aqueles antes de você que também não deram certo.
Vou me esforçar como nunca pra sair dessa e não cometer grandes erros.
Vou me fechar um pouco e não vou procurar o que me falta agora nos braços de alguém que não se importa.
Ou que nem sabe o que estou procurando.
Vou buscar em mim a força.
Vou olhar pra mim um pouco e tentar reconstruir o que ruiu.

Acho que já virei realmente boa nisso.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Eu, cais

Eu sempre fui sozinha.
Desde pequena a maioria dos meus momentos eram solitários.

Isso nunca me incomodou. Sempre tive um mundo tão vasto dentro da minha cabeça que solidão não seria a palavra ou o estado apropriado para descrever.

Com o passar do tempo eu não fui simplesmente me acostumando com isso. Eu fui gostando disso.

Eu amo estar sozinha, amo meus momentos, simplesmente adoro esses meus momentos de solidão compartilhada com muitas de mim.
Porque não sou uma pessoa só. Não mesmo.

Talvez por isso, por haver tantas Manuelas , é que me adapto a tantas pessoas e grupos diferentes. Passeio entre diferentes mundos e sempre me sinto parte deles.
Passeio e viajo pra diferentes países e sempre há uma parte se mim que se encaixa.

Alguns podem sugerir que por ser assim eu não saiba de fato quem sou.
Bobagem.
Eu sempre sei que sou aquela que ama sua solidão. Sua própria companhia.
É aquela Manuela por quem eu me apaixono todos os dias. É onde sou a melhor versão de mim mesma, sou completa de verdade.
Posso ir ao cinema e curtir imensamente um bom filme.
Posso jantar num bom restaurante e me sentir conectada com outras pessoas.
Posso passear por uma rua qualquer e ter boas conversas comigo mesma.
Tudo isso sozinha. E feliz.

Já ouvi de pessoas que gosto que isso é loucura. Mas meu prazer de estar em minha própria cia não me impede de socializar com o mundo.
Tenho família, um namorado, bons amigos pra partilhar dos mais variados momentos. Tenho clientes que visito todos os dias e tenho meus gatos de estimação que estão sempre juntos a mim quando estou em casa.

Mas nada disso muda ou interfere na minha boa e própria companhia. Aliás só acrescenta. Porque é pra mim mesma que eu volto toda vez que preciso recarregar minhas baterias.
É a mim mesma que saúdo com os melhores momentos de real descanso.

Não sou O "porto seguro," mas sou um excelente cais.